Efacec: Concorrente norueguês desafia a competição pelo contacto com Isabel dos Santos

Efacec: Concorrente norueguês desafia a competição pelo contacto com Isabel dos Santos

Efacec: Concorrente norueguês desafia a competição pelo contacto com Isabel dos Santos

A norueguesa Cambi, rival da Efacec na tentativa de construir uma central de biogás na Noruega, opôs-se a ela devido a anteriores relações accionistas com a empresária Isabel dos Santos, hoje conhecidas.

De acordo com um comunicado hoje divulgado pela empresa pública que fretou a Efacec, Nedre Romerike Avløpsselskap (NRA), o contrato com a empresa portuguesa ronda os 220 milhões de coroas (20,9 milhões de euros).

Nedre Romerike Avløpsselskap anunciou um acordo com a portuguesa Efacec para a construção de uma central de biogás voltada para o futuro, localizada no município de Lillestrøm, a cerca de 20 quilómetros da capital, Oslo, anunciou hoje a empresa em comunicado. De acordo com uma reportagem do jornal norueguês E24, a oferta da Efacec foi 140 e 162 milhões de NOK (cerca de 13,3 e 15,4 milhões de euros, respectivamente) inferior à dos seus concorrentes, entre eles a Camby.

De acordo com documentos obtidos pela Lusa, a empresa concorrente da Efacec apresentou queixas ao NRA e recurso para o Norwegian Public Procurement Appeals Board (KOFA), dado que o antigo acionista majoritário da Efacec é a empresária Isabel dos Santos, e também pelo preço.

“Dada a massiva cobertura internacional do escândalo de corrupção em torno de Isabel dos Santos e o passado agora contestado e já com mais de 70% da participação de Isabel dos Santos na Efacec, estamos muito surpreendidos com a participação da Efacec no concurso ter sido considerada vencedora”, pode ler na carta que Camby enviou à NRA.

A 19 de Janeiro, a empresária viu o seu nome envolvido no caso “Luanda Leaks”, quando o Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo descobriu mais de 715 mil processos detalhando alegados planos financeiros da empresária e do seu marido que lhes teriam permitido retirar dinheiro. Dinheiro público angolano através de paraísos fiscais.

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A 2 de Julho, o governo aprovou o decreto-lei que nacionaliza 71,73% do capital da Efacec, tendo já aprovado a 10 de Dezembro o caderno de encargos desta revitalização de capital, prevendo-se que o processo demore cerca de seis meses. Cambi afirma que a oferta da NRA “decorreu em simultâneo com o escândalo de corrupção em que esteve envolvida Isabel dos Santos”, levanta também dúvidas sobre a posição dos accionistas da Efacec, e que a empresária, que tem imobilizado em Portugal e em Angola, continua a reclamar.

Na reclamação formal apresentada ao Conselho de Recursos dos Contratos Públicos (KOFA), a empresa que perdeu a licitação defende que “a Efacec não devia ter sido pré-qualificada a concurso” devido à posição acionista de Isabel dos Santos e ao facto de Mário Leite da Silva, considerado “destro” A empresária cujo nome também divide com ‘Luanda Leaks’, de onde era presidente da empresa.

“Não é possível que quem recebeu os documentos de pré-qualificação da Efacec não saiba que o maior acionista da empresa e o Presidente do Conselho de Administração estão simultaneamente envolvidos num grande escândalo de corrupção”, refere a carta. Em resposta a Cambi, a advogada Marian Draghstein, em representação do empreiteiro do projecto NRA, afirmou que “não existe fundamento para desencadear o direito da Efacec de o rejeitar em resultado de alegações de corrupção contra Isabel dos Santos”.

“Com base na informação disponível sobre as denúncias de corrupção contra Isabel dos Santos, o cliente entende que está a decorrer uma investigação”, afirma a NRA, referindo que “Isabelle dos Santos não foi condenada”. De acordo com a NRA, “mesmo que haja indícios de que Isabel dos Santos é culpada de corrupção, não é claro que tal possa ser invocado como fundamento para a recusa, uma vez que já não é proprietária da empresa”, e não basta dizer que “ela se opôs à nacionalização da empresa perante as autoridades portuguesas”.

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A Norwegian Public Corporation também declara que uma “decisão de nacionalizar / expropriar os direitos dos acionistas não é um“ processo ”de corrupção, de acordo com os Regulamentos de Aquisições Públicas da Noruega. “No pedido de pré-qualificação, a Efacec não forneceu informação sobre as denúncias de corrupção contra Isabel dos Santos. No entanto, isso não justifica a recusa da Efacec”, uma vez que não existe qualquer julgamento sobre estas matérias, afirma a ARN. Segundo o representante da NRA, “Não se considerou que um erro grave cometido por Isabel dos Santos / Ivasc não estivesse suficientemente documentado”.

A NRA também rejeitou alegações sobre o preço do contrato, e a Agência de Kosovo ainda não comentou o caso. Em resposta a perguntas da Lusa sobre o caso, a Efacec confirmou a sua “intenção de conceder à Efacec um projecto de construção de uma central de biogás na Noruega”. “Vamos partilhar mais informações após a assinatura do contrato”, disse à Lusa uma fonte oficial da Efacec sobre o projecto.

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